Sobre o GTNUP

No dia 4 de setembro de 2011, sob o inverno porto alegrense, no Rio Grande do Sul, finaliza-se um importante e marcante espaço do movimento universitário brasileiro. Com participação de aproximadamente quinhentas pessoas, sendo em grande parte estudantes, o I Seminário Nacional de Universidade Popular (SENUP) conseguiu travar discussões de fundo a respeito da universidade brasileira em que a unidade real foi alcançada através de uma dinâmica onde a tônica foi a formulação programática.

A principal virtude do I SENUP foi apontar a discussão para além de problemas pontuais vividos pelo movimento. Pautar no Seminário uma discussão estratégica, construir bandeiras de luta específicas que serão utilizadas na consolidação desta estratégia – apontada como universidade popular – é um aprendizado importante para o debate nacional. O Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular (GTNUP), criado no I SENUP tem por objetivo o desenvolvimento da discussão iniciada em 2011 com o intuito de consolidar o debate de Universidade Popular e desdobrá-lo em ações práticas que acumulem forças para a ofensiva do movimento universitário. O GTNUP não é uma nova entidade ou organização política. A criação do GTNUP foi a forma encontrada para manter organicidade entre os organizadores e participantes do SENUP, identificados com sua linha política e ideológica, para colocar em prática as diretrizes debatidas e aprovadas durante todo o seminário. Segundo a Carta de Porto Alegre, documento que sintetiza o resultado do Seminário e norteia a atuação do GTNUP e dos GT´s locais, tratava-se da

 “Constituição de um Grupo de Trabalho Nacional sobre Universidade Popular no intuito de dar continuidade a esta construção. Ele será composto inicialmente pelos mesmos convocantes do 1° SENUP, buscando agregar mais organizações e manterá o método consensual de trabalho e organização;” (Carta de Porto Alegre, 2011, p.4).

O método de trabalho do GTNUP tem sido o de debates plurais e horizontais, onde nos orientamos exclusivamente pela via do consenso entre as organizações componentes, entidades e militantes. Essa unidade não é fruto de um agrupamento aleatório de militantes, também não é uma representação colegiada eleita em qualquer instância, tampouco um conchavo entre organizações políticas. A unidade do GTNUP é produto de um longo processo de maturação política, antes do próprio SENUP, na qual uma estratégia comum de disputa da universidade tem sido partilhada pelo mesmo campo político de militantes, organizações e entidades. No GTNUP não há cargos, direção ou indicação.

Dessa forma, o GTNUP tem sido espaço de debate a respeito da estratégia e táticas que o movimento universitário deve assumir nos embates, assim como estimulador da criação de GTs locais para articulação de lutas específicas à estratégia de universidade popular. Tem sido instrumento valoroso no que diz respeito ao debate aprofundado da política geral para o movimento universitário, entendido não apenas como movimento estudantil, mas também agregando os professores e servidores.

Neste espaço buscamos compreender a universidade popular como a estratégia necessária para a reorganização do movimento universitário a nível nacional e a partir da base, ou seja, de “baixo para cima”, direcionando as nossas tarefas imediatas no movimento a um horizonte mais amplo de universidade que consiga romper com o domínio do capital e produza conhecimento com e para o povo brasileiro. Essa compreensão abre possibilidades de acúmulo organizativo e ideológico para o movimento – que muitas vezes cessa suas mobilizações quando conquista sua reivindicação, ou quando é derrotado parcialmente –, já que cria a necessidade de travar permanentemente essas lutas em novas formas, com mais fôlego e organização formando um bloco ofensivo.

Essa estratégia leva em consideração o entendimento de que hoje lutar pela universidade pública, gratuita e de qualidade se tornou limitado para traçar um horizonte de superação da situação atual. É claro que defender e aprofundar o seu caráter público é fundamental. No entanto, a situação colocada exige que identifiquemos os sujeitos da transformação da universidade – que só se transformará ligada a uma ampla luta social – ou seja, os trabalhadores e os setores populares explorados e oprimidos pelo bloco de poder dominante.

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